Esse é o nosso canto, a nossa roda de samba, o nosso colo de mãe. É nosso abrigo, que guarda o que foge de nós. É nosso abraço, nosso sentimento, nossa música mais bonita, nosso gesto mais tenro. (Fluor) essência. É um pouco do tanto que a gente teima em ser. E é. Que seja... livre!
Vais me envolvendo a cada movimento, e a cada parte despida meus olhos se grampeiam em ti. E sorriem. Teu olhar entra em mim como água que preenche todos os espaços e me afoga por dentro. Encharcada de ti vais me cercando com as velas, as flores, os cheiros, o vinho, a madrugada e estou de mãos dadas com você pela rua.
Então te mostro meu melhor, sob luzes cênicas e teu olhar expectador cresço e quero aparecer, quero ser levada pra mais dentro desse mistério, me perder e desvendá-lo. Matar a sede.
Entro, me submerjo até os olhos nessa densa fumaça criada por nós.
Mas teu mistério é muito mais interessante que a minha imaginação.
De repente, percebo que não dou mais pé no teu leito. Descubro quão profundo é o seu silêncio e me afogo e me descubro louca e quero me afogar sadicamente nos teus erros, quero experimentar luxuriosamente teu lixo.
Tuas fraquezas e descontroles te botam alto e longe. Quero salvá-lo, domá-lo, ser a sua inspiração. Mas me sinto limpa demais, alva demais, desmerecedora da tua carne dura.
Um par de olhos fundos. Olhos sem fundo. Olhos que não dão respostas, só perguntam. Esses olhos que chamam. clamam. amam. E se apresentam já em despedida. Sempre de partida. E voltam. se mostram. me tomam. Olhos que não suportam o ordinarismo da matéria. Porque o limite da matéria é o lado externo. Tudo o que está fora de mim é muito pouco. Vivo aqui dentro. Minha cabeça mora em mim. Só a palavra é ponte entre esse silêncio físico e meu ensurdecedor pensar.
quarta-feira, 22 de maio de 2013
Quando, com a força de um frear de trem, a tua vida inteira bate nas costas.
E entra, te derruba no chão.
Visita aqueles planos da infância.
Uma visão: eu ao 11 anos prometendo a mim mesma que quando fosse adulta compraria várias latas de leite condensado e tomaria todas de canudinho.
A Disney, a Xuxa, o show da Sandy. Ainda não me levei pro show. Desculpa eu.
Que tipo de adulta me tornei.
Outra visão: eu, na minha imaginação de criança poderosa, sendo uma adulta segura e determinada.
E eu ainda sou a mesma... E sou mais uma dentro daquela, e de vez em quando me sinto outra olhando pras antigas eus.
Mas agora que nos encontramos, eu aos 11, te digo que o amor nem é tão difícil assim. Passarás por ele andando de bicicleta. É natural. O difícil é saltar dele. O difícil é freá-lo. É tão bom soltar as mãos dos guidãos e ir andando devagar, em zigue-zague descer uma ladeira. Não queira vencer, chegar primeiro, ser admirável. Queira jogar, andar, brincar, aprender, conhecer, crescer e viver celebrando viver!
Que posso querer ser eu, se me limito a mim mesma?
E sendo eu mesma já sou tanto, já me extrapolo tanto, já me multiplico e me dissolvo. Só pra existir!
É só isso que tenho pra te oferecer, minha mais aproximada tentativa de ser eu.
Porque nunca se é eu, assim, na mosca. Inteiramente eu. Prevendo reações, calculando movimentos, consertando erros futuros. Nunca se é eu assim.
É sempre sobre um tronco de madeira encima da água. E encontro mil formas de me equilibrar, e posso ser todas elas...
Não há fronteira, não há tapumes indicando o fim. Não há silhueta.
Sou eu como uma alma quase encarnada, ainda tentando sincronizar com meu corpo e ele me escapa as vezes.
Mas há momentos de total razão, quando, pelo intervalo de um piscar, sou a terra toda.
De todas as coisas que fiz um desejo continuou comigo, eu nem quero muito, o que apenas quero é te dar essa riqueza que guardo aqui dentro. Quero te ver abrindo a porta da nossa casa, sentar na varanda com vista para um lago segurando a tua mão, um belo jardim, um cachorro, deitar na grama e te abraçar, te beijar na chuva, dizer eu te amo sussurrando no teu ouvido, escrever olhando nos teus olhos, usar um anel de noivado, te jogar na cama e te cobrir de amor, te colocar no meu peito e fazer cafuné até dormir, te esquentar nas noites frias, te acordar com café da manhã na cama, te mimar, e ao ver teu mau humor dizer coisas absurdas pra te ver sorrir. Sair de mãos dadas e nos separar apenas durante o dia. No final do dia te ver entrando de novo e te receber com um sorriso e com isso fazer a rotina de uma boa amante, te ter em meus braços, refúgio de tudo, te proteger, te amar a cada instante, ouvir as tuas necessidades, comemorar a cada conquista, te entregar flores em dias inesperados, te surpreender com algo pelo menos uma vez por dia, não deixar cair na rotina. Para o jantar, lasanha? Pizza? Ou queres que eu faça uma janta saudável? Fiquei sabendo de uma nova Temakeri,a queres ir lá conferir? Fazer planos para o futuro. Viagens de final de ano, frio, neve, lareira, música e um bom vinho. Ver o por do sol, caminhar à noite na praia, visitar museus, galerias, cinema. Final de semana, sítio? Praia? Ou ficar por aqui? Pode decidir amor, mas se estiver chovendo vamos passar assistindo filmes. Independente da rotina, do lugar e da estação, eu te quero de segunda a segunda e a certeza de que todos os dias no final do dia vou te ver entrando pela porta, olhar bem fundo nos teus olhos e te agradecer mais um vez por existir.
(C.C.D)
Parecem marteladas num muro podre. Cada vez que te vejo com ela, cai uma parte de mim.
Meu útero dói. Mataste nossos filhos ao fazer os teus com ela. Meu leite seca e meus peitos machucam sem ter quem amamentar. Nossa casa de madeira com janelões de vidro, estala no meio do fogo. A banda que ia tocar no casamento explodiu num ataque terrorista. Aquela ilha afundou. Aquele nosso amigo morreu. Hoje.
Tu não és tu com ela ao lado. Ela não te completa. Ela não te merece. Ela não sou eu.
Ela é feia, cafona e frígida. Eu era teu amor. Eu sei que fui eu quem não quis mais e não quero mesmo. Sei que preciso te matar em mim. E como dói te morrer.
Eu quero te comer. Literalmente.
Seria capaz de comer tuas orelhas aos pedacinhos, em pequenas mordidas crocantes.
Poderia comer tuas bochechas como se fossem maçãs suculentas e doces.
Depois morderia teus lábios e os mastigaria por horas...
Ainda lamberia teu pescoço como quem lambe o fundo de um
prato.
Tentaria gravar aquele gosto em mim, e
sentir até a última gota de gosto, depois de cheiro... depois de
lembrança.
Enquanto ela é tempestade, eu sou abrigo.
Enquanto os braços dela se cruzam, os meus estão abertos.
Enquanto ela dorme com outro, eu sonho contigo.
Enquanto ela te destrói, eu construo uma cidade desse amor.
Enquanto ela te faz ver o passado, te faço sentir o presente.
Enquanto ela se cala, eu te escuto.
Enquanto ela te faz esperar, minhas mãos estão estendidas para te levar.
Enquanto ela é superficial, eu sou avesso.
Enquanto ela olha os outros, eu te observo.
(Clarice C. Dumke
Por que acertar? Por que encaixar? Por que eu quero te ver sorrir? Porque fico correndo em volta de você como um vendedor querendo te ver satisfeito? Porque a auto-cobrança, o auto-flagelo? Por que a análise?
Se isso não é nada?
O que vem de fora pra dentro não é nada! Tudo, é o que vem de dentro pra fora. Tudo!
E porque só descubro isso hoje? Na véspera do meu aniversário de 21...
Porque não aos 15 quando me esforçava pra receber elogios, olhares e lamentava por não consegui-los? Por que não ano passado quando quis ir pra praia com vocês? Por que não ontem, quando quis dormir até as 11?
E por que é tão difícil perceber que não dependo da sua reação? Por que é tão difícil distinguir a minha real intenção da vontade de parecer ser?
Agora descobri que não preciso disso, e percebo que eu já nem sei mais o que ser...
Que coisa horrível!
Mas que lindo saber que posso me descobrir do jeito que eu quiser, na velocidade que eu quiser, no ritmo que eu quiser e vai ser um samba bem leve, daqueles que me fazem jogar a cabeça pra trás... e depois me recompor, antes que alguém apareça. Mas vou ficar me remexendo, dançando, cantando, até me sentir inteira, pronta e sem medo de ver que errei e dançar molenga denovo...
Meu coração está inteiro, mas meu corpo se despedaça na mão afoita em possuí-lo. Meu coração não esta aqui, mas amolecerá diante de tanta entrega e arrepio. A intimidade descompromissada, corpos sem dono, livres de si mesmos, nus, pulsantes, inconsequentes, quentes. Externamente invadida descubro que mudei de fora pra dentro, troquei a referência do meu olhar, do meu ouvido, do meu sentido, do meu prazer. Me desconheço, me escondo, me aproximo, me apaixono, me transporto e percebo que subestimei meu corpo: ele me comanda muito mais que minha razão ou emoção. Uma sessão de beijos macios me instiga mais que uma conversa filosófica, que a sua peça de teatro, que sua boa-fé, que sua cultura, que seu trabalho admirável. Um toque ansioso me provoca mais que a nossa música, que a nossa cama, que aquelas flores, que o altar ou a Lua. Eu pertenço ao meu corpo e ele traz pra dentro, sem me avisar, toda a energia que o comporta. Mas meu corpo acaba se perdendo na outra pele e pede para que eu o carregue
A paixão é um animal feroz, prenda ela por um tempo e depois perceba o estrago que ela fez aí dentro, amor e paixão não são sentimentos para reprimir e sim deixar solto, só cuidado para você não acabar virando o animal arisco da história. Esse sentimento tem que ser criado solto, tem que o deixar correr atrás do seu criador, a gente tenta afastar, mas chega uma hora que ele se solta sozinho. Sinceramente isso não faz bem, o ser humano com a sua própria arrogância demonstra que apenas quer carinho e atenção. Brinca de ser super herói pra ver quem é mais forte. Faz de conta que é ator interpreta o que não está no roteiro. Sabe quando vai deixando a poeira acumular num canto da casa, é o que acontece aí dentro de ti, tem tanta coisa do passado que não foi limpa que foi acumulando com o tempo, e tudo você vai deixando de lado até ser sufocado por essa poeira. Faz de conta que é feliz e vai acumulando dores pra ver onde isso vai chegar, a muralha quando desmorona faz um estrago, mas quando tem um terremoto acontece uma catástrofe. Quem se esconde demais se perde, o homem tem mania de usar mascaras e no fim das contas ele nem sabe mais quem ele é. Há tanto de ti na música que ouve, quando critica o outro, no lugar onde anda, no que brincou, no que disse, no email que não mandou, no eu te amo que não disse ou no eu te odeio, é essa insônia, o sonho da noite passada, a cor que mais gosta, as coisas que pensa em fazer antes de dormir, o que mentiu, força e fraqueza, às vezes não é o que diz ser e sim o que faz, o livro e o filme preferido, o quarto bagunçado, e pra resumir és feito de medo e desejo, o que tais sentindo nesse momento foi o mundo que criasse aí dentro, e o mundo aqui fora é reflexo de dentro de ti. Pode se limitar de muitas coisas só que vai de ti aumentar esse limite e se conhecer melhor. Não reprima as vontades, não reprima um amor, não reprima a felicidade, não reprima quem você é. Que seja livre para fazer tuas escolhas, que seja livre para amar, que seja livre para ser feliz, que seja livre para ser quem você é. (C.C.D)
Por viver minha vida em par, vou tentando entender as enormes distâncias que distinguem duas almas tão enlaçadas. Fico tentando investigar o que se passa por trás daqueles olhos que há tempos me fita e se vê o mesmo que eu. Fico curiosa querendo conhecer a voz dele da forma que ele ouve e como recebe meu tom no seu ouvido. Se as palavras que saem da minha boca chegam com o mesmo sentido no seu tímpano, ou se funcionam como uma brincadeira de telefone sem fio, e no espaço de uma orelha se transformam pela censura dele.
O mundo dele deve ser completamente diferente do meu e dividimos o mesmo endereço! Eu preocupada com as prateleiras ele com o freezer, eu com os lençóis, ele com a cama, eu com as louças, ele com as latas, eu com as roupas, ele com os botões, eu com a sobrancelha, ele com o colo, eu com a varanda e ele com o sol...
Pontos de vista tão diferentes tentando se encontrar...
Fico intrigada de como o mundo existe através da nossa janela, e como tudo isso pode não ser da forma que eu vejo visto pelos olhos do outro, e para desbravar esse novo mundo é quero tanto desvendar o avesso desses olhos...
Eu, na crise do 3º semestre de Direito, termino o dia feliz por ter sido mais um, por chegar em casa e ser eu mesma, sem fingir que to curtindo tudo. E então o Ministro Luis Fux, que era o voto que faltava para decidir a aplicação da Lei da Ficha Limpa, leva o Direito ao pé da letra como um cavalo treinado e abre a porta da sala em que os políticos doentes criminosos corruptos estavam presos babando uns nos outros. E para onde eles vão? Direto para o Congresso Nacional, para representar esse povo sofrido e ignorante que votou neles. Graças à segurança jurídica, afinal, quem se importa com a improbidade administrativa? Hoje eu entendi que o Direito, por si só, não é justo. Quem faz a Justiça ser real são as pessoas! Não adianta nada carregarmos toneladas de códigos pra cima e pra baixo, esmiuçá-los nas aulas, quebrar a cabeça no trabalho pra encaixar o caso concreto no artigo hipotético, se alguém que não entende nada de valores, nem de respeito, nem de justiça, aplica o “sagrado texto” de maneira absurdamente maléfica para a nação. Mas isso me deu mais força, me deu mais motivos e reacendeu aquela vontade de mudar isso tudo. Como diz Elisa Lucinda: “mais honesta ainda vou ficar. Só de sacanagem!”. Quero muito que as crianças continuem puras, que os velhinhos continuem doces, que os jovens continuem sonhando, que os adultos comecem a dar exemplos de honestidade, caráter, e por que não, de bondade! Aiii quero tanto! Meus olhos estão aqui saracutiando para todos os lados querendo sair pulando e me levando atrás para poder ver algo que preste! E pra isso preciso agir e preciso de mais gente comigo, pro favor, vamos lá mudar isso tudo? Se não adiantar ficar aqui berrando vamos berrar na prefeitura, no congresso, no senado! Porque gente ruim não entende nada de justiça e nós que aspiramos ser bons temos que encarar a chatisse dos códigos para mudar o final dessa história! À pedido do Maurício e porque cabe muito nesse post, segue aí a propaganda da Coca-cola que me arrepiou e clareou meus pensamentos; os bons são maioria!