quarta-feira, 22 de maio de 2013


Que posso querer ser eu, se me limito a mim mesma?
E sendo eu mesma já sou tanto, já me extrapolo tanto, já me multiplico e me dissolvo. Só pra existir!
É só isso que tenho pra te oferecer, minha mais aproximada tentativa de ser eu. 
Porque nunca se é eu, assim, na mosca. Inteiramente eu. Prevendo reações, calculando movimentos, consertando erros futuros. Nunca se é eu assim.
É sempre sobre um tronco de madeira encima da água. E encontro mil formas de me equilibrar, e posso ser todas elas...
Não há fronteira, não há tapumes indicando o fim. Não há silhueta.
Sou eu como uma alma quase encarnada, ainda tentando sincronizar com meu corpo e ele me escapa as vezes.
Mas há momentos de total razão, quando, pelo intervalo de um piscar, sou a terra toda.

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