Meu coração está inteiro, mas meu corpo se despedaça na mão afoita em possuí-lo. Meu coração não esta aqui, mas amolecerá diante de tanta entrega e arrepio.
A intimidade descompromissada, corpos sem dono, livres de si mesmos, nus, pulsantes, inconsequentes, quentes.
Externamente invadida descubro que mudei de fora pra dentro, troquei a referência do meu olhar, do meu ouvido, do meu sentido, do meu prazer.
Me desconheço, me escondo, me aproximo, me apaixono, me transporto e percebo que subestimei meu corpo: ele me comanda muito mais que minha razão ou emoção.
Uma sessão de beijos macios me instiga mais que uma conversa filosófica, que a sua peça de teatro, que sua boa-fé, que sua cultura, que seu trabalho admirável.
Um toque ansioso me provoca mais que a nossa música, que a nossa cama, que aquelas flores, que o altar ou a Lua.
Eu pertenço ao meu corpo e ele traz pra dentro, sem me avisar, toda a energia que o comporta.
Mas meu corpo acaba se perdendo na outra pele e pede para que eu o carregue
Decisão
Há 2 anos
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