quarta-feira, 29 de setembro de 2010

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Hoje, perguntada sobre o que eu esperava dos próximos governantes, fiquei sem saber o que responder como quem abre a boca pra falar, mas se arrepende, porque a minha idealização de Brasil não será alcançada através do presidente, e nem por ninguém.
Esses dias, para me sentir pertencente à cidade, fui ao shopping e fiquei tão triste, como se quisesse ter me acalmado depois de rezar e não conseguisse, como se tivesse chamado minha mãe e ela não tivesse respondido. Sentei na praça de alimentação, comi um prato japonês servido por uma moça loira e gorducha e espiei as pessoas. Percebi que todos estavam ali como eu, buscando alguma coisa... o rapaz levando a moça pra comer Mcdonalds, como uma arma da sedução, e os dois se sentindo pequenos e ridículos à frente de todas àquelas luzes e palavras estrangeiras; a dondoca com seus dois filhinhos parecia estar se sentindo mais à vontade, porque ela era realmente tão fútil quanto aquilo tudo que estava à sua volta, já os filhos choravam disputando uma porra de um brinquedinho do Ben 10 e o marido vestido na sua caixa azul-marinho, mastigava agitando as pernas e franzindo as rugas na testa, ele parecia um zumbi com uma bomba relógio tic-taqueando dentro dele pronta para explodir. A cada grito dos filhos, ou risada da mulher envelhecia um pouco mais, mas estava sendo um bom pai e um bom marido, porque levou a família ao shopping depois do trabalho.
E eu fiquei pensando “Como que o mundo chegou nesse ponto?”, “Quando que essa religião começou?”, “ E como eu vim parar aqui?”. Ali eu sentia que todo mundo se sentia inferior, ou queria se sentir cumprindo sua obrigação de consumidor e ninguém estava à vontade ou realmente feliz nesta condição.
Então, onde está a democracia e a liberdade que nossos antepassados conquistaram? Se nossas escolhas se resumem ao que surge de novo do mais caro ao mais barato da prateleira, o que sobra de liberdade então?
Nos livramos da opressão religiosa e política, mas por causa do nosso olho gordo entramos em uma ditadura muito mais cruel e sem constituição que lhe imponha limites. Os homens e mulheres não se acham mais interessantes e não enxergam, mistério, beleza ou peculiaridade no outro... vivem uma vida que já está vivida, seguem o caminho que já foi marcado, seguem as placas, as regras, as revistas, os apresentadores e vendem o próprio destino e sua essência mais valiosa à esse Deus invisível, inaudível mas que tem poderes subliminares na vontade dos seus filhos. Preocupados com o divórcio, já nem se casam, preocupados com a dor, já nem tem filhos, preocupados como status trabalham em caixas e depois vão ao shopping mostrar o quanto são convenientes... e desesperados.
Eu prefiro a montanha-russa, o grito, o torto, o imperfeito, o desastrado... “Eu quero tudo que dá e passa.”
Nossa, eu quero muito tudo o que dá e passa... Mesmo que depois de toda alegria, venha toda a tristeza, mesmo que depois de toda a euforia venha a vergonha, mesmo que depois de toda a confiança venha a traição, mesmo que depois de todo o esforço eu tenha que começar de novo eu não quero fingir que gosto de shopping Center.
Ufa, por um momento me senti livre de novo... queria que os meus amigos se sentissem assim também... e queria que no Brasil só se falasse português e que não houvesse TV nas ocas e que meu filho não visse TV ... droga, me senti presa de novo.

1 comentários:

Samoel R. disse...

Eu tenho um estojo do Ben 10... :P

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