Havia, nesta estrada curva e torta, uma senhora chamada Dolores. Dela, nada sabiam os vizinhos. Dela, notícias nenhuma tinham. Nem família, nem amores, nem dores. Conheciam somente seu andar, não sua aparência, muitos menos sua fala. Sabia somente seu andar. E que se tratavam de uma senhora. Se respeitosa não se sabe, mas todos a descreviam como Senhora.
Surpreendentemente, num dia. Maria Resolve dormiu com a porta aberta. Todos se espantaram, pois a casa nunca estava aberta...Hoje está!
[...]
O tempo passou e a porta nunca mais foi fechada. Maria Resolve morreu, Dolores também. De seus pertences sobraram os vizinhos, a dúvida de si e a chave da porta. No fim do fim de Maria ainda nada se sabe de sua existência. Segundo uns, ela nunca existiu e fora somente um mito daquela região. Pelos outros, Maria, na verdade, "somos nós". Não se sabe disso também. O que se sabe é que a porta ainda está lá, aberta e sem chave.
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